A História de Ribeirão Preto

Existiam apenas poucas casas, próximas aos Córregos do Retiro e Ribeirão Preto. Os mineiros, saíam de suas terras já esgotadas para a mineração, e tendo começado a se dedicar ao gado, vinham procurando por pastagens. A crise do café do Vale do Paraíba empurrou os fluminenses também para outros horizontes. E eles trouxeram as sementes dos cafezais que, em pouco tempo, tomariam conta da economia da região, e fariam de Ribeirão Preto a Califórnia do Café.
Várias fazendas se formaram, e foi a doação de terras feita por 6 famílias, para a construção da Paróquia de São Sebastião, que deu origem a Ribeirão Preto. Em 1.856 foi feita a legalização da doação à Igreja. Mas a data da fundação da cidade, em 19 de junho de 1.856, só iria ser definida um século depois, devido a uma lei aprovada na Câmara de Vereadores, baseada em estudo do historiador Osmani Emboaba da Costa.
O desenvolvimento rápido da cultura cafeeira trouxe a riqueza e o progresso, e incentivou a chegada das chamadas "ferrovias do café".
Em 1.883 vieram os trilhos da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, provocando um grande desenvolvimento para a região, que transformou-se na maior produtora mundial de café.
A notícia do crescente e contínuo desenvolvimento da nova cidade se propagou rapidamente entre 1.890 e 1.900. A rica Ribeirão Preto queria então luxo e diversão. A ostentação era visível. Comprava-se de
tudo: mulheres que divertiam os coronéis, água mineral e champagne que vinham da França, azulejos trazidos de Portugal, e até a força de trabalho, com os imigrantes europeus, na sua maioria italianos.
Um empresário acabou entrando para história da cidade. Francisco Cassoulet, de nacionalidade francesa, vindo da Argentina, criou o primeiro "café-cantante", o El Dorado". Ele contratava artistas,
que eram recebidas com banda de música na estação ferroviária. Por esta época, Ribeirão Preto era chamada pelos visitantes da região de "Petit Paris".
A Capital DOeste
O café deu a Ribeirão Preto riqueza, luxo e também poder político.
Os coronéis e barões do café da primeira república usaram de toda a sua influência para fazer um presidente da República, Washington Luís, eleito em 1.926. Fizeram eleger também a Altino Arantes para o governo de São Paulo, em 1.916. Altino Arantes foi depois deputado federal e Secretário do Interior nos governos de Albuquerque Lins e de Rodrigues Alves.
Ribeirão Preto entrou efetivamente na era industrial em 1.911, com a instalação na cidade da Companhia Cervejaria Paulista, vendida depois para a Companhia Antarctica Niger. Foi a Antarctica que construiu o
Theatro Pedro II, em 1.930, marco cultural da cidade.
A Capital do Chope
A instalação da Cervejaria Paulista trouxe uma nova atração para Ribeirão Preto, com a abertura de inúmeras choperias. Uma se tornou famosa, e ainda continua funcionando, o Pinguim, ao lado do Theatro Pedro II, em frente à Praça XV, coração de Ribeirão Preto. Ponto de encontro para comemorações, principalmente na década de 60, o Pinguim ainda é parada obrigatória para turistas e moradores. Dizem os
freqüentadores que o chope do Pinguim é o melhor do Brasil, por causa da qualidade da água. Dizem até que existe uma serpentina que traz o chope direto da cervejaria até o bar. Muita gente continua
conferindo a lenda ainda hoje.
Fim do Ciclo do Café
O café continuava a ser o principal produto da região. Mas os estoques formados pelas super safras acabaram provocando quedas nos preços. E eles não resistiram à quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1.929. A maioria dos fazendeiros também não resistiu. Muitos empobreceram.Terminava o Ciclo do Café na região de Ribeirão Preto.
O Ciclo da Cana-de-açúcar
Os fazendeiros que tiveram fôlego acabaram recorrendo a outras culturas, como o algodão, à cana-de-açúcar, aos cereais e à pecuária. A economia rural aos poucos foi se levantando, fazendo da região uma das principais produtoras agrícolas do Brasil de hoje. Com a queda do café o comércio e serviços ganharam expressão.
Atualmente comércio, serviços, uma rede de educação e de saúde de ótima qualidade, tecnologia em comunicações, entre outros, fazem de Ribeirão Preto um polo de atração para investimentos. A cidade é
uma principais praças bancárias do país, e exibe um índice invejável, o de ter renda per capta de US$ 5 mil, muito acima da média nacional. Ribeirão Preto, hoje com 475.000 habitantes, tornou-se o centro de uma
região com 80 municípios, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas.
No campo uma outra transformação ia se delineando. Aos poucos uma cultura, que já existia desde o século passado, começou a predominar.
A cana-de-açúcar, que mudou o perfil da região.
Os imigrantes italianos do final do século passado e início deste, compraram terras e incrementaram o cultivo da cana após a queda do café. Alguns descendentes comandam as usinas de açúcar e álcool de hoje. Existem 34 usinas na região e 11 destilarias, respondendo por 29 % da produção nacional, sendo a maior produtora mundial de açúcar e álcool.
A crise do petróleo, na década de 70, provocou a necessidade de fontes alternativas de combustível, e motivou o governo brasileiro a incentivar a cultura canavieira. O setor deslanchou, com investimentos e conseqüente crescimento. Hoje as usinas investem na produção do álcool carburante, que deverá ser a solução para a continuidade do setor.
Bibliografia:
"O Município e a Cidade de Ribeirão Preto"- 1822 - 1922 - na Comemoração do Primeiro Centenário da Independência Nacional".
"Ribeirão Preto como Fonte Básica de Pesquisa" - 1984.
"Ribeirão Preto", publicação da MIC Editorial.
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