Colégio Patronato Santo Antônio

Cuiabá, 6 de março de 2.000

Alunas: Maiara Rodrigues nº23

Paola Correia Sanches nº27

Tatiane Lima nº32

Profª:Vera Lucia

Série:7ª   N

Kurâ-Bakairi um pouco de sua história

Os kurâ-Bakairi, povo de língua karib, vivem na região do serrado

Norte Mato-Grossense em duas áreas indígenas denominadas Santana e Bakairi.A primeira situasse no município de Nobres e a segunda nos municípios de Paranatinga e Planalto da Serra.

Eles se autodenominam Kurâ, que quer dizer (nós gente verdadeira), povo (nação).O etnômino Bakairi é para eles de origem desconhecida, não fazendo parte do léxico de sua língua.Ele foi registrado pela primeira vez por Antônio Pires de Campo, predador de índios para a escravização, nas primeiras décadas do século XVIII.

Os Kurâ-Bakairi de Santana, que em 1.884 somavam 55 pessoas, passaram a trabalhar, compulsoriamente, na extração de borracha, dentro de suas próprias terras, sofrem todos os tipos de violência e aviltamentos típicos dessa atividade econômica. Foram até mesmo proibidos de falar a sua própria língua. Isso foi até a década de 70 quando eles conseguiram expulsar os invasores de suas terras e quando os seringalistas que instalaram em áreas contínua venderam a propriedade para paulistas, que nela passaram a desenvolver a pecuária intensiva.

 

 

Infância

Desde o nascimento até a puberdade, as crianças fazem de uma categoria específica: (Iamundo Itabienly). Embora tinham as etapas distintas.

Os primeiros passos decisivos de uma criança quase que são exclusivos da mãe. A relação mãe e filho são intensivos e ela procura estar sempre por perto do bebê.

 

Ritual de "Iamudo Itabienly"

A preparação desse ritual cabe ao dono , aquele que propôs realiza- lo e que garantirá o seu sucesso. Esse ritual, ao contrário daqueles que compõem o complexo de rituais sagrados, e pancomunitários, não exigem a realização de caçadas e pescarias coletivas . Neste caso , a festa envolve toda sociedade , todas as aldeias do Kurâ- Bakairi. Já para o ritual de iamudo itabienly , são os avós , os pais das partes envolvidas que vão pescar – nele não se caça – para atender a necessidade da festa. Programada a data pelo "dono" da festa , eles vão prepara- lá : limpar o pátio da aldeia , preparar a tinta de jenipapo e o urucu para a corporal do bebê , preparar os alimentos para a comensalidade de coletiva .

A criança , juntamente com a mãe , é colocada em direção ao sol . A avó paterna ou a avó materna a coloca em seus braços e a ergue em direção ao sol dizendo : Alfa! Aufa!2 Xixi , âwery egâ! Âwery enamanagâ! , que pode ser traduzido literalmente como: "Tomara sol! Abençôo teu neto (a)! Recebe e cria o teu (tua) filho (a) !" Pronunciam – se , geralmente , palavras de agradecimentos e de pedidos.

Esse mesmo gesto se repete em direção ao sul , de onde vem a friagem ; ao norte , para onde vai a friagem ,e ao poente , direções para onde vão as nossas almas quando morremos . Esses gestos também são usados no Batizado do Milho ( Anji Itabienly ) . Ao fim , a criança volta para os braços da sua mãe , onde permanece o tempo todo . Só então é que as comidas são distribuídas. Essa distribuição é feita pela mulher do atraído.

A mãe e a criança se retiram do pátio , permanecendo numa sala para que todos possam conhecer o bebê e os seus nomes , que herda de seus antepassados mortos , tanto do lado paterno quanto materno. A partir daí os parentes vão chamar a criança pelo nome , sendo que não é permitido aos parentes paternos pronunciar os nomes oriundos dos parentes maternos e vice – versa.

A realização desse ritual encerra o estado de reclusão ritual dos pais , que voltam às suas atividades normais , participando de uma nova vida , que precisa ser moldada pela tradição Kurâ-Bakairi.

É verdade que esse ritual se tornou raro nos dias atuais. Note – se que durante a estadia da antropóloga Edir Pina de Barros , ela não teve a oportunidade de presenciar o referido ritual. Daí a sua seguinte afirmação :

"Quando a criança nasce , os nomes já estão eleitos , ficando a sua atribuição sujeita a sexo da criança , que deve ser o mesmo hiperônimo. Eles são confirmados e atribuídos antes mesmo que o cordão umbilical seque , quando o nomeado e seus pais se encontram em reclusão (uanki) ,sem nenhuma cerimônia" (Barros , 1992 :272).

 

 

Distribuição da População do Bakairi por Municípios , População Total e Números de Alunos Matriculados

 

Município Grupo Local População NºAlunos Matriculados
Paranatinga Painkun

Kaiahoalo

Pakuera

Alto Ramalho

Painkun Âtuby

Aturua

50

45

285

30

20

180

10

10

101

09

....

23

Planalto da Serra Sawâpa 28 10
Total 07 638 163

 

Grau de Escolaridade dos Professores Kurâ – Bakairi

 

 

Grau de Escolaridade Nº Professores %
3º Grau

2º Grau

1º Grau

7ª Série do 1º Grau

5ª Série do 1º Grau

4ª Série do 1º Grau

02

02

05

01

01

05

12,5 %

12,5%

31,25 %

6,25 %

6,25%

31,25 %

Total 16 100 %

 

 

Quadro Sintético : Vínculo Empregatício dos Professores Kurâ–Bakairi

Vínculo Empregatício Nº Professores %
Federal

Municipal

02

14

12,5%

87,5 %

Total 16 100%

 

 

Escolas atuais da Areia Indígena Bakairi

 

Nome da Escola Grupo Local
Unidade Escolar José Pires Uluko (antiga escola rural Mista Simões Lopes e depois Bakairi). Pakuera
Unidade Escolar Otávio Kurewe Aturua
Unidade Escolar Painkun Painkun
Unidade Escola Vicente Kaiawa Kaiahoalo
Unidade Escolar Monte Pachola Alto Ramalho

 

Dessas Escolas , a José Pires Uloko, A Monte Pachola, Otávio Kurewe e a Painkun foram contempladas pela portaria nº 3277/902/SEE, da secretaria do Estado de Educação, que as reconheceu enquanto a escola municipal de 1ºgrau assim como seus níveis e cursos na modalidade regular.

Em Painkun Âtuby, a escola não funciona. Por ser uma população pequena, seus estudantes encontram –se matriculados na escolas de Pakuera. Nessa 6 escolas há hoje 135 alunos matriculados e 16 professores Kurâ-Bakairi efetivos.

 

Os professores indígenas hoje

A criação das 5 novas escolas, decorrente da dispersão fundadora da nova ordem social e política – como nos mitos nos dispersamos a partir de um único local de origem - ,na abertura de um espaço para novos professores, espaço este conquistado por nós, os Kurâ-Bacairi.

Os professores foram escolhidos pelos próprios grupos locais, seguindo a lógica da estrutura social Kurâ-Bakairi, que reserva a cada um deles uma relativa econômica e política. Um grupo local não interfere nas decisões das outras unidades da mesma ordem.

Via de regra o professor é parente do líder do grupo local- visto que, para funda-lo, um líder reuni em torno de si aqueles que são parentes e aliados -, que luta pela sua contratação. Isso tem garantido a estabilidade dos professores porque este papel não esta sujeito ao jogo político de facções, como ocorre em outros locais. Cada grupo local tem a sua escola e seus professores, apoiados por seus líderes.

No caso particular de Pakuera, que se reestruturou a partir da saída daqueles que foram constituir, outros grupos locais, tem-se uma situação um pouco diferenciada pois, a rigor, não se estrutura a parti de uma única parentela. Nele se registram outras formas de acesso ao cargo de professor. A mais comum é a manifestação voluntária de m candidato que se apresenta para se professor (a) e que, de acordo com seu grau de escolaridade, poderá ser perfeitamente aceito.

Assim os quadros são permanentes e as escolas não fecham mais as suas portas para os alunos, sempre ávidas para aprender. Hoje não se tem mais o profundo abismo que havia entre a escola e comunidade.Como diz uns dos professores Kurâ;

"Hoje estamos aqui, nós vivemos aqui, somos parte dessa comunidade, todos somos parentes, qualquer dificuldade que o aluno passa na casa dele eu sei. Sei quando ele não estuda porque precisou ir para roça, pescar. Os professores brancos não tinham essa compreensão que nós temos hoje. Nós tínhamos que saber a lição na ponta da língua, tinha que decorar. Se não soubesse o aluno ficava de castigo. Tudo isso nós mudamos" (Paulo Kavopi ,29 anos, Pakuera ).

O quadro de professores é estável desde 1989, quando eles foram contratados pela Prefeitura Municipal.

Cabe esclarecer que no Posto Indígena Pakuera funciona uma urna eleitoral desde 1958 , a 43ª , do município de Paranatinga e que o número de eleitores é suficiente para eleger um vereador e, portanto, contribui significativamente para a eleição do prefeito do município.

Nessa relação de contato com o homem branco, os Kurâ já aprenderam a manipular seus votos a favor de seus interesses. Durante a companhia eleitoral de 1997, eles elaboraram um documento aos candidatos da Prefeitura Municipal, com a reivindicação e continuidade do ensino fundamental na aldeia.

Hoje temos a extensão de 5ª a 8ª série na aldeia Pakuera, gradativamente, pode ser uma formação da turma de ginásio na aldeia. Quem sabe, o passo seguinte será a implantação do 2º grau e depois não custa sonhar com uma Universidade Indígena na aldeia dos Kurâ.

Curiosidades (Bakairi / Português)

Ala ice = agradecimento, sinceridade ao próximo

Anji = milho

Ataído = companheiro e parceiro nas atividades dos rituais sagrados do Kado

Iakuigâde = ritual do complexo do Kado , com máscara

Iamudo = criança

Itabienly = batizado , inauguração

Iweâpa = longo período de tempo

Iwypadyly = vergonha

Kado = complexo de rituais sagrados e pancomunitários

Kadoêti =a "casa de Kado" ou "casa dos homens"

Karaíva = não – indígenas

Kono = irmão mais novo (homem falando)

Konomery = nossa sabedoria, nossa ciência

Kou = irmã (homem falando)

Kozekâ = veado mateiro

Kuapa = menstruação mensal

Kugu = irmão da mãe, sogro em potencial

Kurâ = autodenominação dos Bakairis; gente verdadeira, verdadeiramente nosso

Kuradomo = coletivo de Kurâ

Lelâlâ = autêntico (povo verdadeiro)

Nhuncely = primeira menstruação

Ningo = avó, todas as mais idosas,da geração de avó

Paigo = irmão mais velho (homem falando)

Pakuera = rios dos pombos conhecidos por rio Paranatinga

Pama = primo cruzado, cunhado em potencial (homem falando)

Pâna = denominação dos Xavantes na língua Kurâ –Bakairi

Pay – hó = escarificador feito de cabeça e dente de peixe - cachorro

Piaje = xamã

Pogo = mingaus feitos de mandioca, milho e arroz,que também são conhecidos etnológicos,como chichas

Sadyry = ritual de perfuração dos lóbulos das orelhas dos jovens do sexo masculino, integrante do complexo de rituais sagrados do Kado.

Swâpa = salto mítico de origem;uma variedade de bananeira de pequeno porte

Seko = mãe e irmãs da mãe

Sodo= dono,senhor

Tadâunto= ritual que encera a reclusão feminina

Taho= faca

Tako= avô, todos os mais idosos na geração do avô

Tâwâla aidyly= pessoa independente

Tâwypazeim= estar com vergonha

Tâzeguekâ= reclusão por longo período de tempo

Uma= história

Wanke= estado de reclusão ritual

Waxi= caçadas e pescarias coletivas realizadas durante o ritual do Kado

Wií= irmão, sem distinção de idade (mulher falando)

Xogo= pai e irmão do pai

Xutunry=aquele que conhece, sábio

Ya= irmã mais velha (mulher falando)

Ydi= irmã mais nova (mulher falando)

Yemary= criança que já pode colaborar com os pais,minha mão

Yerudu= prima cruzada, cunhada em potencial

Yseamby= primo cruzado, esposo em potencial (mulher falando)

Yupy=irmã do pai, sogra em potencial

Yweampy=prima cruzada, esposa em potencial (homem falando)

Áreas Indígenas de Mato Grosso Áreas Indígenas Bakairi e Santana
Áreas Indígenas e os Grupos Locais Os Grupos Atuais e seus Territórios
Mayore Nawíri Kuynahum
Tânupedi Wylywyly Matola

 

 

 

Autobiografia

 

Darlene Taukane

Meu nome entre os Kurâ Bakairi é Darlene Yaminalo Taukane. Sou sargtitáriana nascida em 20 de dezembro de 1960. Filha de Carlos Taukane e de Vilinta Caiamalo Taukane, natural da aldeia indígena Pakuera , município de Paranatingua (MT)